O que Deus espera de um adorador e de uma adoração?

Levítico 10.1-11

A morte de Nadabe e Abiú acontece exatamente nos primeiros dias de funcionamento do Tabernáculo e de todo o sistema sacrificial de Israel. Os filhos de Arão, não sabemos porque, tomaram cada um o seu incensário e os levaram à tenda da revelação, para fazer os rituais diários. O texto não explica porque eles fazem isso (provavelmente estavam embriagados ou havia algum tipo de contenda entre eles), pois o incensário que eles deveriam usar era o do próprio santuário de Deus. O resultado foi trágico: ambos morreram.

O que faz com que uma adoração seja um “fogo estranho?”

Antes de responder a essa pergunta, vejamos o que não pode ser compreendido como falsa ou verdadeira adoração:
1)      Uma adoração não é falsa ou verdadeira por causa do lugar.
Lugar santo não santifica a oferta. Muitas pessoas vêm ao culto com a vida cheia de pecados e se deixam envolver pelo clima de santidade do culto de tal maneira que até se sentem, elas próprias, santas. Deus sabe o que nós fizemos antes do culto e o que faremos depois.

2)      Uma adoração não é falsa ou verdadeira por causa da aparência.
Não era a aparência do fogo que era estranha, mas a motivação do culto. De fato, não há diferença formal entre a verdadeira e a falsa adoração. É possível que participemos de uma falsa adoração e fiquemos absolutamente empogados com o clima de espiritualidade do ambiente.

O que havia de estranho no fogo oferecido por Nadabe e Abiú? 

- Em primeiro lugar, foi estranho que eles oferecessem a Deus um sacrifício que não estava em conformidade com as instruções da Palavra de Deus. A Bíblia é o nosso guia de adoração e tudo o que não estiver orientado por ela, é estranho diante de Deus. 

- Em segundo lugar, foi estranho o fato de Nadabe e Abiú não estarem sóbrios. A primeira recomendação que Moisés deu a Arão depois desse incidente foi: “Vinho, nem bebida forte tu e teus filhos não bebereis, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais...”, indicando que os filhos de Arão estavam embriagados quando entraram no santuário. Pelo menos isso explicaria o fato deles levarem incensários particulares para a tenda da revelação. Deus quer sobriedade da parte do adorador. É muito fácil se empolgar no meio de uma multidão louvando a Deus, mas o Senhor conhece os corações e não se deixa levar pelo nosso sentimentalismo. 

- Em terceiro lugar, foi estranho que a adoração de Nadabe e Abiú não desse um bom testemunho de Deus. O Senhor espera que a adoração seja um testemunho para o mundo, uma forma como Ele será conhecido das pessoas e, por isso, cumpre ao adorador o papel de ensinador (v. 11). Muitos dos hábitos de adoração de nosso tempo são um péssimo retrato de Deus. 

- Em quarto lugar, foi estranho que Nadabe e Abiú não fizessem distinção entre sagrado e profano. Deus queria que a adoração fosse feita com ofertas e ofertantes consagrados e deixou orientações por escrito em muitos lugares da Lei, para que os objetos e pessoas que participassem do culto, não tivessem outro uso e função além desse. “Para fazerdes diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo”, foi a palavra de Moisés a Arão. Deus não aceita adoração de uma pessoa não consagrada e não santificada pela presença do Espírito Santo em sua vida. Na verdade, uma pessoa não consagrada pode fazer um único ato de adoração que será aceito por Deus: a entrega de seu próprio coração e de sua vida no altar do Senhor. A partir dessa única oferta, o Senhor consagra a vida do adorador e todos os seus bens passam a ser santos e, portanto, passíveis de se tornar ofertas para o altar do Senhor. 

Nós fomos chamados para sermos santos e, portanto, nossa vida não pode ser usada para qualquer outra coisa que não seja a adoração a Deus. Nosso dia a dia, mesmo os pequenos gestos, são consagrados e devem ser feitos na presença do Senhor e como atos de adoração a Ele.

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